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| Gerações reunidas |
Você pode não se lembrar, mas na década de 1980 pensávamos que teríamos carros voadores e outras parafernálias futuristas por volta dos anos 2000. Muitos filmes colaboraram com esta ideia, como ''De Volta para o Futuro'', sugerindo que, anos mais tarde, o mundo seria um lugar totalmente diferente, quase que extraterrestre.
Bem, a coisa ficou muito diferente do que pensávamos, mas ainda assim temos objetos e serviços que nunca imaginaríamos ter um dia. Em uma situação hipotética, volte no passado, para os anos 80, e fale para alguém sobre o Twitter, ou sobre iPad, ou até mesmo sobre um Nintendo Wii. Talvez tudo isso fosse motivo de piada na época, mas hoje são itens que não só existem, mas que também são sucesso na cultura pop.
Obviamente, os videogames também entraram nesta onda de ''prever'' o futuro, nos míticos anos 2000, virada do século, onde tudo mudaria. Esta vertente foi particularmente o mote principal para uma série que iniciaria sua jornada nos games em 1987. Estamos falando de Rockman, ou Mega Manno Ocidente, o robô azul mais popular de todos os tempos.
Este conceito de futuro imaginário é reforçado pela ambientação e época dos games. Os primeiros Mega Man, por exemplo, sempre se passavam no ano de 20XX, onde ''XX'' representa qualquer ano após o início da década de 2000. Naquela época seria fácil pensar que o ano era 2001, ou até 2010. E aí, você conhece pessoalmente algum robô azul que atira raios de plasma pelas mãos hoje em dia? É, nem nós. Mas isto não é uma crítica, e sim uma lembrança de como a popular série da Capcom cresceu com o tempo, tornando-se uma de suas franquias de alto escalão.
True Blue
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| O "originalzão" |
Era uma tarde de 1987 quando o então jovem Keiji Inafune, funcionário da Capcom, foi agraciado com a tarefa de aprontar o design de um personagem chamado de ''Rockman'' no Japão. Por conta da falta de pessoal, Inafune criou não só o visual do herói em artworks, como também sua aparência em forma de pixels, o logo do game, o design da caixa e o manual de instruções. Rockman faria parte de um plano estratégico da empresa de expandir sua marca no Famicon (ou NES), o videogame sensação da época.
Com a limitação de 56 cores disponível no NES, onde a maioria eram variações do azul, Inafune desenhou o personagem tendo o azul como cor primária. Daí vieram os apelidos ''true blue'' (puro azul) e ''the blue bomber'' (o bombardeio azul), que fizeram a fama do herói pelos anos seguintes. Outra característica marcante do game era sua trilha sonora, com chiptunes frenéticos, lembrando bastante o rock japonês. Não era por acaso, já que o nome da cria de Inafune era justamente Rockman.
Megatip: A 'irmã' de Mega Man, uma robôzinha loirinha simpática toda vida, se chamava Roll. Daí... Rock and Roll. Sacaram?
O game chegou aos Estados Unidos com o nome de Mega Man (e com uma capa horrorosa), em uma mudança que pouco fez sentido, mas que acabou colando. Na realidade, o nome mudou por conta do então vice-presidente da Capcom na época, Joseph Marici, que simplesmente achou o título original ''horrível''. Bem, sabemos que não era, mas as outras opções que a companhia propôs não seriam lá muito legais. Imagine que Mega Man quase se chamou Mighty Kid, Knuckle Kid e até Rainbow Man. Saímos ganhando, com toda a certeza.
A mecânica da série clássica é basicamente a mesma para todos os títulos. O jogador toma o controle de Mega Man, que deve avançar pelas fases encarando alguns robôs maléficos criados pelo Dr. Willy, enfrentando também os chamados Robot Masters, responsáveis por guardar o final dos estágios, ou, simplificando, os chefões. Com um estilo de jogo inspirado no conceito de ''pedra/papel/tesoura'', Mega Man poderia absorver o poder de um destes Robot Masters e utilizar no próximo. Um ataque de água, por exemplo, seria mais efetivo contra um inimigo de fogo.
Isso acontecia porque sua arma não era lá muito poderosa contra todos eles. Um simples canhão de plasma não daria conta de todas as ameaças e acabaria cansando o jogador, pela falta de variedade nos ataques. Para contornar este problema, o sistema em questão foi criado, sendo um dos principais esquemas da jogabilidade de todos os capítulos e spin-offs da franquia Mega Man. E por falar em franquia...
Evolução robótica
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| Rush entrou mais tarde na série |
A série principal evoluiu. Apesar da Capcom não ter se animado imediatamente com uma possível sequência, Inafune conseguiu lançar Mega Man 2 até bem cedo, em 1988. Este segundo capítulo é, inclusive, o favorito do criador, já que melhorou o que já era divertido e ainda trouxe diversas outras novidades que permaneceriam na série até os dias de hoje.
Entre as principais mudanças, por exemplo, temos a introdução do item Energy Tank, capaz de restaurar a energia de Mega, um sistema de password, para avançar alguns níveis sem precisar reprisar tudo o que já passou antes e a presença de oito Robot Masters, contra seis do primeiro game, o que se tornaria um padrão nos próximos capítulos. A partir daí sua popularidade estava garantida, já que Mega Man 2 vendeu mais que seu antecessor, tornando-se um sucesso comercial e de público.
Nos anos seguintes tivemos tantos Mega Man quanto você pode imaginar, todos lançados no NES até o sexto capítulo. Cada um acompanhava uma adição que foi englobada na já grande tradição da série. As principais foram as chegadas de Proto Man e Rush, respectivamente o principal anti-herói da saga e o cão sempre companheiro de Mega Man, tudo isso no terceiro capítulo, que é o ''menos preferido'' do criador.
Megatip: Proto Man passou pelo mesmo dilema de Mega Man. Seu nome original era Blues, para seguir a linha de ''nomes musicais'' nos personagens centrais. Mas a Capcom norte-americana não viu sentido e, sobre protestos de Inafune, renomeou o personagem para Proto Man no Ocidente.
Os próximos capítulos vieram com novos personagens, como o robô ajudante/carregador de itens Eddie, o pássaro mecânico Beat, novas habilidades para Rush (mola e jato), além de uma combinação de Rush com Mega que o permitia planar. As maiores novidades, porém, foram as adições da rasteira – ou 'dash' – que permitia um deslocamento rápido ao herói, em Mega Man 3, e o tiro carregado em Mega Man 4. Chamado de Mega Buster, este último fazia com que o tiro de Mega Man fosse concentrado e atirado com mais força no alvo.
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| Mega Man 8 era bonitinho, não é não? |
A evolução no NES, porém, terminou em Mega Man 6, quando o sétimo capítulo chegou ao então super-poderoso Super Nintendo em 1995, com a principal novidade sendo, é claro, a melhoria na qualidade gráfica. Finalmente saíamos da era 8-bit com pixels e cores limitados. Agora Mega Man tinha uma definição melhor, com mais detalhes em sua armadura robótica, além de diálogos e uma história um pouco mais elaborada. O jogo mesmo começava e prosseguia de forma bem diferente dos anteriores, com uma introdução gigantesca e não-interativa. Foi aí que surgiu também Bass (Forte no original japonês), mais um anti-herói e inicialmente arquiinimigo de Mega Man.
Megatip: Se Proto Man era parecido com Mega Man, Bass era mais ainda. Além das características padrões, o novo personagem tinha também um cão robótico, como Rush, que se chamava Treble (Gospel no original).
Mega Man 8, contudo, não foi um título de SNES e sim do primeiro PlayStation, já em 1996. Aqui o estilo retrô foi completamente esquecido e a aventura tomou ares de animação japonesa, inclusive com sequências em anime entre algumas fases, além da jogabilidade ainda mais frenética do que anteriormente. Aqueles que enfrentaram Tengu Man e seu Tornado Hold logo de cara sabem do que estamos falando.
A série clássica ainda rendeu alguns spin-offs para o Game Boy, Wonder Swan e até no SNES, com Mega Man & Bass, centrado na improvável dupla. Mas antes de tudo isso, antes mesmo do lançamento de Mega Man 8 no PSOne, a Capcom já havia dado uma cartada para prolongar e renovar a série, justamente no Super Nintendo. Mega Man X, a ''série paralela'', se tornou tão popular quanto a original e rendeu personagens ainda mais bacanas.
É ferro e fogo
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| Mega Man X veio com diversas inovações |
O primeiro Mega Man X foi lançado ainda em 1993, mas para o Super Nintendo. O título jogava a série 100 anos no futuro da cronologia do Mega Man clássico e introduzia X, novo modelo criador por Dr. Light que acabou inspirando também a criação de outros robôs. O problema é que estes seres se rebelaram e se tornaram ''mavericks'', máquinas de destruição que atacavam humanos. Sentindo-se responsável, X parte para a batalha contra a ameaça, ao lado de Zero, a maior adição deste capítulo para a mitologia de Mega Man.
Se Mega Man já era futurista, a série X é ainda mais, com direito a elementos pós-apocalípticos. Algumas mudanças também foram feitas na jogabilidade, que em sua maioria permanecia fiel à original. Contudo, X possuía a habilidade de coletar partes de armaduras pelo cenário e se transformar quase que totalmente, adquirindo assim novos poderes. Nos capítulos seguintes a armadura ganhou ainda mais variações, indo até a poderosíssima Ultimate Armor, capaz de derrotar praticamente qualquer inimigo facilmente.
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| "Make a monkey now, make a monkey now..." |
Infelizmente, a série X não foi tão popular quanto a clássica ao longo de seus capítulos, tendo seu auge no primeiro PlayStation com Mega Man X4 e Mega Man X5. A qualidade foi decaindo com o tempo, principalmente pela falta de novidades relevantes e a introdução de personagens que não caíram nas graças dos fãs, como o infame Axl, personagem jogável que formava o trio principal (composto ainda por Zero e X) em Mega Man X7.
Megatip: O mais provável é que o nome de Axl tenha sido inspirado no vocalista da banda Guns N' Roses. Em Mega Man X5, por exemplo, alguns inimigos com nomes inspirados no grupo, como Grizzly Slash, Duff McWhalen e Izzy Glow.
A série X foi oficialmente paralisada no oitavo capítulo, com alguns spin-offs no Game Boy Color e até mesmo um RPG para PS2 e GameCube – Command Mission – sendo lançados paralelamente. Desde então a Capcom optou por não retomar a saga de X, Zero e... Axl (fazer o que?). Pelo contrário, a companhia decidiu expandir ainda mais o universo de Mega Man, com outras séries, que variam entre gêneros, personagens e universos.
Universos paralelos e sequências
Lançado em 1997 para o PSOne, Mega Man Legends (ou Rockmand DASH) apresentou uma proposta diferente para o personagem no mundo dos games. Deixando a progressão 2D e gráficos simples para trás. O herói estava pela primeira vez em um mundo 3D, tirando proveito do poder do console da Sony, com gráficos e animações de ponta. O problema é que, apesar de ter seus fãs, o jogo não agradou como deveria.
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| Mega Man Legends seguiu uma linha mais RPG |
Legends também pendia para um lado mais RPG, e não somente de ação/aventura, como eram os outros jogos de toda a série, com a possibilidade de equipar itens e novas armas. Ele também apresentava dublagem e uma história mais linear, deixando de lado aquele esquema de derrotar oito chefões até chegar no final do game.
Apesar de não ter feito tanto sucesso, o jogo logo foi adaptado para o Nintendo 64 – com o óbvio nome de Mega Man 64 – e recebeu uma verdadeira sequência em 2000, até aquele momento exclusiva do PSOne. Um spin-off protagonizado por Tron Bonne, uma das personagens da saga, foi lançado também em 2000 para o console da Sony, com funcionalidades do periférico Pocket Station, mas somente na versão japonesa.
Megatip: O Mega Man da série Legends tem o sobrenome de Volnutt! E, apesar de seus jogos não terem feito tanto sucesso, ele também participou de outros títulos, como um spin-off para celulares e um game de golfe. Mais recentemente, Volnutt foi incluído como um dos lutadores do crossover Tatsunoko vs. Capcom.
Ainda na área do RPG, a Capcom resolveu lançar em 2001 a série Mega Man Battle Network, para Game Boy Advance. Os fãs, animados na época, esperavam ver uma verdadeira sequência do Mega Man clássico nascendo no novo portátil da Nintendo, mas a coisa não seguiu bem este caminho.
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| Mega Man Battle Network é para GBA |
Battle Network se passa em um universo paralelo ao da aventura original e nos apresenta Lan Hikari, um jovem que é nada menos que o personagem principal da saga. Isso mesmo, Mega Man aqui era um tipo coadjuvante, algo como um Pokémon, controlado por Lan em batalhas estratégicas no mundo virtual. Tanto é verdade que o herói nesta versão se chamava MegaMan.EXE, ou seja, um programa de computador executável, de acordo com sua extensão.
Outros personagens também participam da saga em versões ''.EXE'', como Roll, Proto Man e até Bass, para a ''felicidade'' dos fãs mais conservadores. Contudo, reclamar de nada adiantou, e a série foi um sucesso por conta de seu apelo ''pokémon'' da coisa, com robôs colecionáveis, cards, itens, entre outras facetas da jogabilidade. Por conta disso, sete games foram lançados para o Game Boy Advance, além de um para o GameCube e um último no Nintendo DS, até a franquia evoluir para Mega Man Star Force.
Megatip: Battle Network foi um sucesso tão grande no Japão que rendeu até um anime e um mangá, com uma história diferente dos games, mas também seguindo a temática ''pokémon''.
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| Zero vai para o futuro |
Star Force é muito similar a Battle Network, no sentido que as batalhas são estratégicas com elementos de RPG. Os gráficos, obviamente, são melhores e com elementos em 3D, já que o primeiro título foi lançado no Nintendo DS. Além dele, duas sequências foram produzidas e, ainda que não tenha obtido o mesmo sucesso de Battle Network, Star Force rendeu bons frutos para os fãs do primeiro, além de uma animação japonesa.
Em outra subsérie (a Capcom ama isso, não?), Mega Man Zero chegou ao Game Boy Advance em 2002, servindo como a verdadeira continuação de Mega Man X, estrelando uma versão futurista e restaurada de Zero, em um futuro onde todos os robôs Reploids eram caçados por um governo tirano. Mega Man Zero fez sucesso e com razão, já que a jogabilidade era excelente, baseada nos antigos games da série, e os gráficos de ponta para o GBA.
Este segmento rendeu um total de quatro capítulos no GBA, além de duas continuações no Nintendo DS, com os nomes de Mega Man ZX e Mega Man ZX Advent. Nestes a coisa pendia um pouco para o lado de Battle Network e Star Force, misturando crianças e vários modelos de Mega Man, mas ainda assim conseguiu manter a qualidade dos originais.
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| Mega Man Online é uma aposta no estilo MMO |
O futuro à Capcom pertence
Atualmente aguardamos algumas novidades da série Mega Man. Após decidir retomar a série clássica, com os retrôs Mega Man 9 e 10 vendidos digitalmente, a Capcom programou também outros lançamentos envolvendo o sempre simpático robô azul.
O primeiro é Mega Man Online, massivo online multiplayer planejado – por ora – apenas para o mercado oriental, onde jogar MMORPGs parece ser lei. Sobre este não sabemos muito, a não ser por uma sequência em animação lançada há alguns meses pela companhia. Seu lançamento está programado para PCs, e só para PCs, e não se sabe se algum dia os fãs ocidentais terão a chance de jogar.
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| Universe sai para consoles |
Já Mega Man Universe é um título diferenciado, como um tipo de ''homenagem'' de Inafune ao grande hall de jogos e personagens da série. Esta versão está planejada para o Xbox 360 e PlayStation 3, com venda via rede online dos consoles, e é focado no conteúdo criado pelo jogador, no melhor estilo LittleBigPlanet.
No primeiro trailer lançado, por exemplo, acompanhamos um garoto que tem o quarto invadido por personagens da série Mega Man. Já na segunda prévia foi possível notar a jogabilidade, que remete diretamente à série clássica, onde também é possível variar com qual personagem o jogador se aventura pelas fases. Até o momento sabemos que várias versões do herói estão no jogo, como Rockman, Mega Man e até a versão feiosa presente na capa americana do título original. Além deles, heróis de outras franquias da Capcom também são convidados a participar da brincadeira, como Ryu (Street Fighter) e Arthur (Ghosts 'n Goblins).
Se toda essa onda ''revival retrô'' não te agrada, o jeito é aguarda por novidades adicionais, já que, ao que parece, a Capcom pretende seguir esta linha por algum tempo. Fica a torcida para que a série X, uma das mais populares, além de um verdadeiro retorno do segmento clássico, estejam nos planos futuros da empresa.













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